segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tempo, pessoas, portas e janelas

Sempre me questiono sobre o tempo e as pessoas. Relaciono um a outro para dar conta das dúvidas postas à mesa.
Em uma dessas embaralhadas lembro, aleatoriamente, de uma pessoa. Não devido a nostalgia, mas porque sempre aparece quando o terreno está vazio. Como se fosse pretexto para fomentar algo que deixou de existir há muito tempo.
Todos os anos, com intervalos semestrais, essa pessoa tenta manter contato, sem sucesso.
Às vezes consegue uma resposta, por pura insistência.
Sempre que essa pessoa aparece, ponho a agradecer ao acaso por ter sido gentil, ao ponto de não ter perdurado o tempo em que fomos alguma coisa.
Na época, tive a primeira impressão de sentir o muro do lado esquerdo desabando, mas agi de acordo com meus princípios e segui em frente.
Nessa ocasião, tive de renunciar coisas que hoje perderam total valor. Um dos motivos que fizeram com que eu renunciasse até a essa pessoa, foi o fato dela ter subestimado a minha inteligência e, algo que considero imperdoável: a minha inocência.
Como se não bastasse fez questão de trair a minha confiança e o valor do que ela representava.
Hoje sempre que vejo essa pessoa batendo na porta, não abro nem a janela. Tem certas coisas que não valem a pena e outras que precisam acontecer.
Vejo agora situações que não imaginava aos 17 e sei que tem muito mais a ser visto. Cada dia um aprendizado, um erro, uma solução.
Portas e janelas continuam fechadas não só para essa pessoa, mas para todas as outras que não mostrarem sentido para que eu volte a abri-las, com tamanha facilidade.
Volto a olhar o tempo e as pessoas que passaram por ele.
Dos 17 aos 23, inúmeras pessoas vieram de visita, de consolo, de momento. Dessas, apenas uma permaneceu o tempo que achou necessário e nem fez questão de bater: foi logo entrando.
E quando foi embora levou tudo - menos o que foi bom. E o que é bom permanece a fazer companhia vez ou outra.
Tem gente que passa e leva a dignidade. Outros saem e levam pouca coisa, mas tem aquelas pessoas que ao primeiro olhar carregam nossa vida e deixam a dela conosco. Para esse tipo de pessoa a porta permanece entreaberta, para sempre ter essa entropia, essa troca de estágios. Essa troca de tempo, de sentido e significado.
Quem bater na porta, saberá se ela está trancada ou entreaberta. No caso de frestas, haverá sempre um sorriso, caso o contrário não haverá coisa alguma.

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